quando hebe de bonafini
- la madre de las madres
de plaza de mayo -
me contou que seus maridos
haviam todos morrido
porque não souberam, não
puderam expressar a dor da
perda de seus filhos, de seus
entes queridos, como elas,
as mulheres, que foram à
luta, que enfrentaram os milicos
[as calças mijadas, as botas lambidas]
e mantiveram abertas todas as
feridas porque eram mulheres
e eram mães de 30 mil desaparecidos
foi que entendi que é às mulheres
que cabe empunhar as armas, hastear
bandeiras, reclamar seus mortos,
manter vivos seus filhos.
eu era apenas um menino
de braços dados com um
um pedaço da história.
3 de set. de 2020
assumo que sempre invejei
o grito que o cantor solta antes
de um refrão que lhe dói seja
pelo que vai dito seja por uma
tensão entre acordes e por isso
criei uma banda que nunca serviu
para nada senão para me dar esse
prazer raro do grito antes do refrão.
assumo que me vesti de homem
muitas vezes na tentativa de ser
pai para que meu pai visse meu
filho e dissesse teu filho também
é meu filho e fôssemos ambos pais
duma criança que não veio ao mundo
nem virá seja porque o tempo é curto
ou porque esse encontro não será
possível. assumo que procuro escrever
o grande poema aquele que calará todos
os homens e diante da minha falência
frente às palavras é que continuo a
enfileirar amontoar reescrever frases e
versos contínuos que de nada valem
posto que o grande poema resulta
impossível de ser escrito, como viver
também é, como amar, como morrer.
o grito que o cantor solta antes
de um refrão que lhe dói seja
pelo que vai dito seja por uma
tensão entre acordes e por isso
criei uma banda que nunca serviu
para nada senão para me dar esse
prazer raro do grito antes do refrão.
assumo que me vesti de homem
muitas vezes na tentativa de ser
pai para que meu pai visse meu
filho e dissesse teu filho também
é meu filho e fôssemos ambos pais
duma criança que não veio ao mundo
nem virá seja porque o tempo é curto
ou porque esse encontro não será
possível. assumo que procuro escrever
o grande poema aquele que calará todos
os homens e diante da minha falência
frente às palavras é que continuo a
enfileirar amontoar reescrever frases e
versos contínuos que de nada valem
posto que o grande poema resulta
impossível de ser escrito, como viver
também é, como amar, como morrer.
i.explicação
o nome de minha mãe é
maria mas esse poema
não é sobre ela.
ii.
aprendi cedo a olhar estrelas
com minha irmã, com meu irmão,
e desde cedo aprendi onde estavam
as três marias.
iii.
as três marias que bandeira enaltece
em seu poema as três mulheres do
sabonete araxá - nem bem um poema
senão um amontoado de pregões e frases
feitas das campanhas de publicidade da época.
iv.
parte mais brilhante da constelação de
órion que os astrônomos denominam
seu cinturão.
depois de anos foi que vi o busto, os braços,
o arco, a flecha, as pernas e o cinturão.
v.
na minha cabeça, as três marias não eram
três, mas quatro, porque terezinha de jesus,
aquela da canção, também devia ser uma
maria.
vi.
depois aprendi onde ficava o cruzeiro do sul
verdadeiro, também o falso, aprendi onde ficavam
escorpião, vênus e marte.
vii.
o melhor lugar para observar estrelas é do rio
que separa os municípios de cristal e camaquã,
no estado do rio grande do sul, principalmente
em noites de verão.
viii.
o segundo melhor lugar para observar estrelas
é do quintal da casa de meus pais, em blumenau,
estado de santa catarina, vinte e cinco anos atrás.
ix.
eu nunca voltei a cristal ou a camaquã, nem voltarei.
eu volto à casa de meus pais, mas vinte e cinco anos
depois.
x. conclusão
esse poema é sobre bem outra coisa.
o nome de minha mãe é
maria mas esse poema
não é sobre ela.
ii.
aprendi cedo a olhar estrelas
com minha irmã, com meu irmão,
e desde cedo aprendi onde estavam
as três marias.
iii.
as três marias que bandeira enaltece
em seu poema as três mulheres do
sabonete araxá - nem bem um poema
senão um amontoado de pregões e frases
feitas das campanhas de publicidade da época.
iv.
parte mais brilhante da constelação de
órion que os astrônomos denominam
seu cinturão.
depois de anos foi que vi o busto, os braços,
o arco, a flecha, as pernas e o cinturão.
v.
na minha cabeça, as três marias não eram
três, mas quatro, porque terezinha de jesus,
aquela da canção, também devia ser uma
maria.
vi.
depois aprendi onde ficava o cruzeiro do sul
verdadeiro, também o falso, aprendi onde ficavam
escorpião, vênus e marte.
vii.
o melhor lugar para observar estrelas é do rio
que separa os municípios de cristal e camaquã,
no estado do rio grande do sul, principalmente
em noites de verão.
viii.
o segundo melhor lugar para observar estrelas
é do quintal da casa de meus pais, em blumenau,
estado de santa catarina, vinte e cinco anos atrás.
ix.
eu nunca voltei a cristal ou a camaquã, nem voltarei.
eu volto à casa de meus pais, mas vinte e cinco anos
depois.
x. conclusão
esse poema é sobre bem outra coisa.
não teve águas de março fechando
o verão não teve páscoa não vai ter
são joão - tem mais de dois meses
que não sei de abraço algum ou do
calor de outro corpo
mas vem junho (antes, bem antes
de agosto) para mostrar que o que
não teve não tem problema talvez
não tivesse mesmo precisão
a grande questão é sempre o que
está por vir
quem está por vir
e virá.
o verão não teve páscoa não vai ter
são joão - tem mais de dois meses
que não sei de abraço algum ou do
calor de outro corpo
mas vem junho (antes, bem antes
de agosto) para mostrar que o que
não teve não tem problema talvez
não tivesse mesmo precisão
a grande questão é sempre o que
está por vir
quem está por vir
e virá.
26 de mai. de 2020
uma vez me disseram para entrar
no carro sem olhar para trás - cho
rei até adormecer entre porto aleg
re e osório. uma vez me disseram
para dar adeus a um amigo e me
detive a cinco passos do caixão n
a tentativa vã de imaginá-lo vivo, e
mais de uma vez me despedi de m
ulheres crendo que o amor se man
teria. todos os dias me despeço de
mim - aquele ali no espelho já não
é mais o que ali antes se via. o ref
lexo também é antigo como é anti
ga a tarde, como é antigo este dia.
no carro sem olhar para trás - cho
rei até adormecer entre porto aleg
re e osório. uma vez me disseram
para dar adeus a um amigo e me
detive a cinco passos do caixão n
a tentativa vã de imaginá-lo vivo, e
mais de uma vez me despedi de m
ulheres crendo que o amor se man
teria. todos os dias me despeço de
mim - aquele ali no espelho já não
é mais o que ali antes se via. o ref
lexo também é antigo como é anti
ga a tarde, como é antigo este dia.
o antifascismo espanhol
enfrentou os fascistas com amor
também o antifascismo italiano
também o alemão
também o argentino
também o colombiano
o uruguaio também
o estadunidense
o salvadorenho
o cubano
o boliviano
o argelino
o palestino
o sul-africano
o paraguaio
o grego
o chileno
o iugoslavo
o português
o francês
o congolês
o romeno
o angolano
até o brasileiro
: com amor e com armas.
enfrentou os fascistas com amor
também o antifascismo italiano
também o alemão
também o argentino
também o colombiano
o uruguaio também
o estadunidense
o salvadorenho
o cubano
o boliviano
o argelino
o palestino
o sul-africano
o paraguaio
o grego
o chileno
o iugoslavo
o português
o francês
o congolês
o romeno
o angolano
até o brasileiro
: com amor e com armas.
Tiago D. Oliveira, poeta baiano,
te saúdo com estes versos amenos
e inconformados - sei que há muito
não nos falamos, mas sei também
que sabes como os corações dos
poetas se contatam secretamente
entre batimento e outro, verso e outro,
palavra após palavra. venho te dizer
que sinto falta de te olhar nos olhos
(era uma segunda-feira, te lembras?
Milton Rosendo, Nuno Rau, Rubens
da Cunha, Clarissa Macedo, Gabriel
Povoas, Denisson Palumbo e a noite
quente de Salvador). Tiago D. Oliveira,
meu amigo, parece que sinto contigo
a brisa das tardes na Itaparica de
quando João Ubaldo ainda era vivo
(as piadas pesadas contadas aos
meninos). Há quantos anos e por
quantos ainda não será possível
escrever poemas ou lê-los ou recitá-
los? por quanto tempo ainda seremos
observadores atentos de um tempo
que não se vê findo porque interminável?
Tiago D. Oliveira, meu amigo, te escrevo
para dizer que nada vai bem, nada vai
bem, e queria poder fazer isso sorrindo
o riso da esperança, mas nada mais é
possível. nada mais é possível.
te saúdo com estes versos amenos
e inconformados - sei que há muito
não nos falamos, mas sei também
que sabes como os corações dos
poetas se contatam secretamente
entre batimento e outro, verso e outro,
palavra após palavra. venho te dizer
que sinto falta de te olhar nos olhos
(era uma segunda-feira, te lembras?
Milton Rosendo, Nuno Rau, Rubens
da Cunha, Clarissa Macedo, Gabriel
Povoas, Denisson Palumbo e a noite
quente de Salvador). Tiago D. Oliveira,
meu amigo, parece que sinto contigo
a brisa das tardes na Itaparica de
quando João Ubaldo ainda era vivo
(as piadas pesadas contadas aos
meninos). Há quantos anos e por
quantos ainda não será possível
escrever poemas ou lê-los ou recitá-
los? por quanto tempo ainda seremos
observadores atentos de um tempo
que não se vê findo porque interminável?
Tiago D. Oliveira, meu amigo, te escrevo
para dizer que nada vai bem, nada vai
bem, e queria poder fazer isso sorrindo
o riso da esperança, mas nada mais é
possível. nada mais é possível.
os dias são feitos de espera
três minutos para ferver o ca
fé às dez olhar o e-mail às d
uas ir aos correios às oito es
perar por ela. os dias são feit
os de promessas (entre parar
de fumar e revisar o livro nov
o, entre fazer as refeições e n
ão ouvir aquela canção que m
e fala de meu pai). onde estará
meu pai? os dias são feitos de
horas e horas a fio e de demo
ras. quanto tempo ainda leva
para pisarmos os pés lá fora?
três minutos para ferver o ca
fé às dez olhar o e-mail às d
uas ir aos correios às oito es
perar por ela. os dias são feit
os de promessas (entre parar
de fumar e revisar o livro nov
o, entre fazer as refeições e n
ão ouvir aquela canção que m
e fala de meu pai). onde estará
meu pai? os dias são feitos de
horas e horas a fio e de demo
ras. quanto tempo ainda leva
para pisarmos os pés lá fora?
para Milton Rosendo
a primeira vez que me despedi
do poeta alagoano milton rosendo
filho de estivador, dono de gatos
e leitor de poesia estrangeira
me deparei com seus olhos de
preocupação porque dali
em diante eu estaria sozinho num
rio de janeiro desconhecido onde
encontraria momentos depois outra
poeta, a zona-oestina bruna mitrano.
a segunda vez que me despedi
de milton rosendo, poeta alagoano,
foi numa manhã fresca em feira de
santana dias depois de termos visitado
jorge amado de termos cruzado a ilha
de joão ubaldo e de caminharmos ao
lado de castro alves pelo calçamento
de cachoeira.
na terceira vez que me despedi
do poeta millton rosendo foi entre
lágrimas quase desesperadas numa
tarde quente de santarém sem saber
ou sabendo que naquele choro pulsante
residia já o carinho e a saudade que
devotaria a milton rosendo das alagoas.
a primeira vez que me despedi
do poeta alagoano milton rosendo
filho de estivador, dono de gatos
e leitor de poesia estrangeira
me deparei com seus olhos de
preocupação porque dali
em diante eu estaria sozinho num
rio de janeiro desconhecido onde
encontraria momentos depois outra
poeta, a zona-oestina bruna mitrano.
a segunda vez que me despedi
de milton rosendo, poeta alagoano,
foi numa manhã fresca em feira de
santana dias depois de termos visitado
jorge amado de termos cruzado a ilha
de joão ubaldo e de caminharmos ao
lado de castro alves pelo calçamento
de cachoeira.
na terceira vez que me despedi
do poeta millton rosendo foi entre
lágrimas quase desesperadas numa
tarde quente de santarém sem saber
ou sabendo que naquele choro pulsante
residia já o carinho e a saudade que
devotaria a milton rosendo das alagoas.
um poema que falasse do frio e ao
mesmo tempo das lontras que nad
avam no ribeirão garcia enquanto t
omava o rumo da escola - as perna
s tremendo a barriga dolorida pela
contração dos músculos - isso foi n
os noventa, já não importa, mas se
o poema ao mesmo tempo falasse
de como o frio se dissipa quando o
s calores se multiplicam como dois
corpos se esquentam quando junto
s como te preciso aqui nessa manh
ã de quinze graus então seria um p
oema que teria encontrado seu por
que.
mesmo tempo das lontras que nad
avam no ribeirão garcia enquanto t
omava o rumo da escola - as perna
s tremendo a barriga dolorida pela
contração dos músculos - isso foi n
os noventa, já não importa, mas se
o poema ao mesmo tempo falasse
de como o frio se dissipa quando o
s calores se multiplicam como dois
corpos se esquentam quando junto
s como te preciso aqui nessa manh
ã de quinze graus então seria um p
oema que teria encontrado seu por
que.
o pai já não ouve e por isso
me furto e lhe perguntar se
se ele percebeu em algum
momento como tudo existe/
reside entre o lá maior e o
lá menor - os amores as p
erdas a saudade os reenc
ontros as esperanças des
avenças as certezas as in
certezas a saudade da mo
rena. talvez que fizesse si
m com a cabeça talvez nã
o dissesse nada talvez ne
m mesmo entendesse o q
me furto e lhe perguntar se
se ele percebeu em algum
momento como tudo existe/
reside entre o lá maior e o
lá menor - os amores as p
erdas a saudade os reenc
ontros as esperanças des
avenças as certezas as in
certezas a saudade da mo
rena. talvez que fizesse si
m com a cabeça talvez nã
o dissesse nada talvez ne
m mesmo entendesse o q
para Gustavo Matte
eu não vi - mas vi - quando a escola
te levou pro abatedouro seguir o caminho
dos porcos. como não vi - mas vi - quando
transportaram tua casa de caminhão pelas
ruas do velho oeste. não vi quando chegaste
em casa com umas quantas revistas em quadrinhos
[que te acompanhariam], não vi aqueles teus anos
duros - as noites tão longas, tão demoradas
pois desde que te vejo - sorte a minha nesse
mundo de misérias - eu vejo o menino que
foste no homem em que te tornaste - e sei
que vejo não vendo cada passo que deste
até essa ilha longínqua onde te fizeste
amigo irmão compadre abrigo e morada.
eu não vi - mas vi - quando a escola
te levou pro abatedouro seguir o caminho
dos porcos. como não vi - mas vi - quando
transportaram tua casa de caminhão pelas
ruas do velho oeste. não vi quando chegaste
em casa com umas quantas revistas em quadrinhos
[que te acompanhariam], não vi aqueles teus anos
duros - as noites tão longas, tão demoradas
pois desde que te vejo - sorte a minha nesse
mundo de misérias - eu vejo o menino que
foste no homem em que te tornaste - e sei
que vejo não vendo cada passo que deste
até essa ilha longínqua onde te fizeste
amigo irmão compadre abrigo e morada.
se ligia se marcos qual dos dois
ou ambos nunca soube quem ma
rcava o chão com pegadas de coe
lho com giz de quadro pelas calça
das do quintal de casa a mãe olha
va de longe e minha irmã e meu i
rmão davam pistas tá quente tá fr
io mais um pouquinho. depois ga
briel procurou a cestinha depois ni
colle não havia deus morto não ha
via sombra de morte apenas a pro
cura seguir as pegadas inscritas a
giz na calçada tá quente tá frio era
outono sim e disso lembro mui bem.
ou ambos nunca soube quem ma
rcava o chão com pegadas de coe
lho com giz de quadro pelas calça
das do quintal de casa a mãe olha
va de longe e minha irmã e meu i
rmão davam pistas tá quente tá fr
io mais um pouquinho. depois ga
briel procurou a cestinha depois ni
colle não havia deus morto não ha
via sombra de morte apenas a pro
cura seguir as pegadas inscritas a
giz na calçada tá quente tá frio era
outono sim e disso lembro mui bem.
e esse sempre domingo sem
o bom dia de meu velho uma
risada solta de minha mãe log
o que deixo a cama - sempre
mais tarde do que preciso - es
se domingo sem os anúncios
de que já chegam vivian viníci
us as crianças - talvez tia ligia
tenha se adiantado - e agora
o pai conta as pedras do dom
inó - e agora o café da tarde
e então a vida se se aquieta e
o domingo se despede para re
começar - que dia é hoje?
o bom dia de meu velho uma
risada solta de minha mãe log
o que deixo a cama - sempre
mais tarde do que preciso - es
se domingo sem os anúncios
de que já chegam vivian viníci
us as crianças - talvez tia ligia
tenha se adiantado - e agora
o pai conta as pedras do dom
inó - e agora o café da tarde
e então a vida se se aquieta e
o domingo se despede para re
começar - que dia é hoje?
se o calor daí te esquenta em
noites baianas de brisa - é preciso
supor o calor, é preciso supor a brisa -
aqui já nos encolhemos sob
cobertas sob desterros por se
cumprirem (onde no mapa pode se
marcar um X, então dali adiante)
mesmo havendo ainda crianças
cartas bilhetes um convite
para café um abraço cheirando
a cachaça enquanto vozes supõem
uma lua que aparecerá (sim, aparecerá)
quando já nos teus sonhos estiveres
tocando um poema impossível de ser
escrito - em que inscrevo um adendo,
se possível, com perdão mas sem
cerimônia, para dizer que dessemelhante,
gregório, é a distância.
noites baianas de brisa - é preciso
supor o calor, é preciso supor a brisa -
aqui já nos encolhemos sob
cobertas sob desterros por se
cumprirem (onde no mapa pode se
marcar um X, então dali adiante)
mesmo havendo ainda crianças
cartas bilhetes um convite
para café um abraço cheirando
a cachaça enquanto vozes supõem
uma lua que aparecerá (sim, aparecerá)
quando já nos teus sonhos estiveres
tocando um poema impossível de ser
escrito - em que inscrevo um adendo,
se possível, com perdão mas sem
cerimônia, para dizer que dessemelhante,
gregório, é a distância.
joão me disse que tinha
frutas se eu não as queria
pensei que sim pensei que
frutas de quintal são mais
doces também joão é doce
e sorri largo quando lhe digo
que me apaixono quando lhe
digo que senti saudade desse
abraço exatamente esse com
café com vento sul - ouvi dizer
que o mundo se acaba entre
entre hoje e mês que vem mas
que se acabe assim no abraço
largo no sorriso largo de joão.
frutas se eu não as queria
pensei que sim pensei que
frutas de quintal são mais
doces também joão é doce
e sorri largo quando lhe digo
que me apaixono quando lhe
digo que senti saudade desse
abraço exatamente esse com
café com vento sul - ouvi dizer
que o mundo se acaba entre
entre hoje e mês que vem mas
que se acabe assim no abraço
largo no sorriso largo de joão.
é na noite, sim, é na noite
que moram os medos seja
do escuro seja dos atropelos
a assombração que mora no
meio dos meu livros o grito
choroso de um amigo morto
dizendo vem cá ficar comigo
faz frio aqui faz frio os anjos
já estão adormecidos ninguém
vai notar se vieres ter comigo
ou chorar nesses meus braços
frios uma saudade um medo
como anda teu pai?, como es-
tão todos os teus?, ele diria.
que moram os medos seja
do escuro seja dos atropelos
a assombração que mora no
meio dos meu livros o grito
choroso de um amigo morto
dizendo vem cá ficar comigo
faz frio aqui faz frio os anjos
já estão adormecidos ninguém
vai notar se vieres ter comigo
ou chorar nesses meus braços
frios uma saudade um medo
como anda teu pai?, como es-
tão todos os teus?, ele diria.
difícil mesmo é de tarde pois
antes que o sol se ponha te-
remos essas horas brilhantes
essa moleza dengosa e as vo-
zes se acumulando numa ou
noutra história da tua infância
nas horas demoradas em
que esperavas teu amante di-
zer que estaremos salvos es-
taremos vivos depois de tudo
isso que parece eternidade
estaremos salvos estaremos
vivos se sobrevivermos a
isso a começar pela tarde.
antes que o sol se ponha te-
remos essas horas brilhantes
essa moleza dengosa e as vo-
zes se acumulando numa ou
noutra história da tua infância
nas horas demoradas em
que esperavas teu amante di-
zer que estaremos salvos es-
taremos vivos depois de tudo
isso que parece eternidade
estaremos salvos estaremos
vivos se sobrevivermos a
isso a começar pela tarde.
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já ia avançado o dezembro naquele dois mil e hum já ia também naque le dois mil e vinte os dezembros se mpre têm disso: são somas de térm in...
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eu tinha prometido parar com isso de falar do meu pai morto, de três ou quatro nomes de gente que nunca se viu e que parece que existem mesm...
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