poema sobre o tema duma canção de françois.
quantos serás
quantos serões
quando virás
verás
voraz
quantos verões
vivivificadamente
um banho
anti-quanti-loquazmente
estranho
: paradoxal
[(há um insistente silêncio
que sempre diz mais)
(há alguns tormentos lentos
duns anos atrás)]
: animal
quem serás
quando a primavera
chegar?
16 de jul. de 2015
8 de jul. de 2015
o alemão foi atrás
de solução e encontrou
a forca:
esqueceram-se os seus
que deixou seu país à força,
nem faz tanto tempo assim
que se deu sua chegada por aqui
meio herói,
meio fugido,
com as mãos abanando vento
e o coração pedindo asilo.
fodido e mal pago.
de herói, virou caçador
de índio;
de assassino de homem e
matador de menino,
de pequeno agricultor
e criador de suínos,
tornou-se empreendedor:
ah, se a pátria me visse
edificando no meio da mata!
ah, se o império me desse
a chance de a soberba
me ser inata!
a primeira fabriqueta e
o primeiro ordenado!
o patrão que tem a honra
de ser a cara do empregado.
quanta satisfação!
que nunca ninguém tenha
perguntado como o imigrante
faminto se tornou poderoso
empresário,
não passa de coincidência.
o sobrepeso da consciência
e os deslimites da justiça,
lavaremos com chopp e linguiça:
os chiqueiros não esvaziam e já
há quase mais porcos que crianças.
a herança repartida entre
os filhos vivos dará
conta de estender nossos domínio
até quem sabe qual geração:
- porque o povo alemão se orgulha
de ser nascido sob a sombra
de seu brasão!
nunca importou quantos
tenham caído
(em contradição)
esta terra varreu as palmeiras
e os habitantes originários
para, à luz de um futuro incerto,
reinventar o seu passado:
preencheu com torpes virtudes
uma história de agravos.
não é por quase não haver mais fábricas
que não se escutam seus apitos.
que não se pense que por sermos
desmascarados,
nos afastaremos do mito
que somos naturalmente superiores!
que somos tão nobres
que tudo são flores
por onde escolhemos pisar.
para o alto!, para adiante!,
há muitas terras por conquistar,
ímpios por catequizar
nas fabriquetas enclausurantes.
voltemos, portanto, à pureza,
aos anos dourados da glória,
voltemos para reescrever a história:
retornemos ao antes.
19 de jun. de 2015
Porque sim não é resposta no Expressão Universitária!
Nota que saiu na edição de Junho de 2015 do jornal Expressão Universitária, do Sinsepes. Aqui, link para o jornal completo (que muito precisa ser lido).
(Clique na imagem para ler)
26 de mai. de 2015
11 de mai. de 2015
6 de mai. de 2015
4 de mai. de 2015
Sebastianamente falando,
não conseguimos aceitar
(e tanto que acreditamos!)
que o rei não virá nos libertar,
que não figuramos em seus planos.
Onde foi mesmo que erramos?
8.000 quilômetros de costa,
ilhas, serras, campos, matas
e essa mania insensata
de nos dizermos irmãos
até mesmo de quem nos tortura,
nos estupra e nos destrata.
Do you speak english, mermão?
Sprichst du Deutsch, ô alemão?
Se tua pele é morena,
se esses teus olhos de índio,
se teu sotaque latino,
que identidade pequena!
Acontece que estamos indo
fortes, enormes e lindos
em busca - talvez - de nós mesmos
e do tão merecido quinhão
de riqueza e de proteção
que nos negam há tantos anos.
Pois que engulas os teus planos
e nos deixes, que da contramão
bem entendemos
(se até aqui chegamos,
quem sabe até onde iremos?).
Toma a frente do teu exército,
toma teus santos, toma teu cetro,
volta pro teu Portugal incerto:
Vade retro, Sebastião!
não conseguimos aceitar
(e tanto que acreditamos!)
que o rei não virá nos libertar,
que não figuramos em seus planos.
Onde foi mesmo que erramos?
8.000 quilômetros de costa,
ilhas, serras, campos, matas
e essa mania insensata
de nos dizermos irmãos
até mesmo de quem nos tortura,
nos estupra e nos destrata.
Do you speak english, mermão?
Sprichst du Deutsch, ô alemão?
Se tua pele é morena,
se esses teus olhos de índio,
se teu sotaque latino,
que identidade pequena!
Acontece que estamos indo
fortes, enormes e lindos
em busca - talvez - de nós mesmos
e do tão merecido quinhão
de riqueza e de proteção
que nos negam há tantos anos.
Pois que engulas os teus planos
e nos deixes, que da contramão
bem entendemos
(se até aqui chegamos,
quem sabe até onde iremos?).
Toma a frente do teu exército,
toma teus santos, toma teu cetro,
volta pro teu Portugal incerto:
Vade retro, Sebastião!
Vejamos a poesia:
veio comigo do pó
e não me larga do pé.
Não adianta o quanto eu dê a ré,
ela vai adiante;
magrela, banguela e tapada.
Tão desengonçada, coitada,
que nem merece atenção.
A não ser, é claro,
que me vista de literato
[o dedo em riste
e o pau na mão],
e saia correndo pelado
pela rua Quinze, na contramão!
Mas então não será o poema
o que estará em questão:
será o insano desfeite,
será o tirano deleite
do jornaleco da televisão.
Poesia é outra coisa, parece.
Uma história, uma praga, uma prece.
Destino que se cumpre
e envelhece.
Sem senão.
veio comigo do pó
e não me larga do pé.
Não adianta o quanto eu dê a ré,
ela vai adiante;
magrela, banguela e tapada.
Tão desengonçada, coitada,
que nem merece atenção.
A não ser, é claro,
que me vista de literato
[o dedo em riste
e o pau na mão],
e saia correndo pelado
pela rua Quinze, na contramão!
Mas então não será o poema
o que estará em questão:
será o insano desfeite,
será o tirano deleite
do jornaleco da televisão.
Poesia é outra coisa, parece.
Uma história, uma praga, uma prece.
Destino que se cumpre
e envelhece.
Sem senão.
A linguagem está morta!
Já não há mais como explicar
o que carece de sentido:
a infância degolada,
a comida atrasada
e aquele teu novo emprego
que em nada se difere
do antigo.
Abolimos a linguagem
para que não peçamos desculpas
(nem tampouco façamos justiça)
aos jovens mortos por tiro,
vítimas do seletivo-tão-antigo
jogo da cor
[preto, moreno, bandido]?
Como for!
Evitamos a palavra
para que se impeça o reparo
aos mortos das propagandas,
às vítimas da eterna dança
da velocidade e do carro.
Engolimos a palavra
para que não hajam mais feridos
entre aqueles que encontram com Deus
através de seus próprios livros,
através da palavra cantada.
Já não é mais possível dizer
se já não se pode viver:
de agora em diante, grunhidos!
de agora em diante, mugidos!
Ou o definitivo silêncio
- que assuma com todo seu peso
o controle de nosso desprezo,
a falência da palavra.
(...)
Essas nossas mãos sujas de sangue,
lavaremos todos
na mesma fonte
com a surpresa trivial
de quem sabe que é culpado
e carrega, consigo e calado,
o brutal peso da morte,
a banalidade da sorte,
toda arrogância do mau.
Somos todos culpados!
Todos os dias, todas as férias,
todo retorno de feriado;
de manhãzinha,
quando a tarde finda,
nas noites de lua-cheia:
não seremos perdoados.
Já não há mais como explicar
o que carece de sentido:
a infância degolada,
a comida atrasada
e aquele teu novo emprego
que em nada se difere
do antigo.
Abolimos a linguagem
para que não peçamos desculpas
(nem tampouco façamos justiça)
aos jovens mortos por tiro,
vítimas do seletivo-tão-antigo
jogo da cor
[preto, moreno, bandido]?
Como for!
Evitamos a palavra
para que se impeça o reparo
aos mortos das propagandas,
às vítimas da eterna dança
da velocidade e do carro.
Engolimos a palavra
para que não hajam mais feridos
entre aqueles que encontram com Deus
através de seus próprios livros,
através da palavra cantada.
Já não é mais possível dizer
se já não se pode viver:
de agora em diante, grunhidos!
de agora em diante, mugidos!
Ou o definitivo silêncio
- que assuma com todo seu peso
o controle de nosso desprezo,
a falência da palavra.
(...)
Essas nossas mãos sujas de sangue,
lavaremos todos
na mesma fonte
com a surpresa trivial
de quem sabe que é culpado
e carrega, consigo e calado,
o brutal peso da morte,
a banalidade da sorte,
toda arrogância do mau.
Somos todos culpados!
Todos os dias, todas as férias,
todo retorno de feriado;
de manhãzinha,
quando a tarde finda,
nas noites de lua-cheia:
não seremos perdoados.
São 3 anos de
estágio probatório,
mas logo chego a seis;
logo chego aos dezesseis,
e em breve aos 60 anos
- para então começar
a fazer planos,
começar a viver
e a desenganar
essa vida inteira
de enganos.
(...)
Estudei muito
pra chegar até aqui.
Aqui onde?
Exatamente aqui.
Exatamente onde?
Aqui, bem aqui!
Mas onde?
Aqui, porra,
não tá vendo?
Não enxerga o meu
ascenso e minha
postura social?
Olha aqui o meu diploma,
olha aqui o carteiraço:
graduado e pós-graduado
em arrogância colonial.
(...)
Meu avô trabalhou aqui,
assim como meu pai.
Eu também trabalho aqui,
mas pra sustentar os meus filhos,
que logo terão seus filhos
e todos trabalharão
nesse mesmo tear antigo,
sob a poeira da fiação,
alimentando os filhos dos
filhos e os pais dos pais
do meu patrão.
(...)
Vou viver da minha arte!
Ser vendido de parte em parte
para garantir o meu nome,
para garantir o meu pão.
E esperar que o aluguel seja pago
com o que é suor, é trabalho,
mas também pode ser chamado
simplesmente de inspiração.
(...)
E assim a vida caminha
calma e serenamente
evitando qualquer desconforto
pra quem
r-e-p-e-t-i-d-a-m-e-n-t-e
se mente.
estágio probatório,
mas logo chego a seis;
logo chego aos dezesseis,
e em breve aos 60 anos
- para então começar
a fazer planos,
começar a viver
e a desenganar
essa vida inteira
de enganos.
(...)
Estudei muito
pra chegar até aqui.
Aqui onde?
Exatamente aqui.
Exatamente onde?
Aqui, bem aqui!
Mas onde?
Aqui, porra,
não tá vendo?
Não enxerga o meu
ascenso e minha
postura social?
Olha aqui o meu diploma,
olha aqui o carteiraço:
graduado e pós-graduado
em arrogância colonial.
(...)
Meu avô trabalhou aqui,
assim como meu pai.
Eu também trabalho aqui,
mas pra sustentar os meus filhos,
que logo terão seus filhos
e todos trabalharão
nesse mesmo tear antigo,
sob a poeira da fiação,
alimentando os filhos dos
filhos e os pais dos pais
do meu patrão.
(...)
Vou viver da minha arte!
Ser vendido de parte em parte
para garantir o meu nome,
para garantir o meu pão.
E esperar que o aluguel seja pago
com o que é suor, é trabalho,
mas também pode ser chamado
simplesmente de inspiração.
(...)
E assim a vida caminha
calma e serenamente
evitando qualquer desconforto
pra quem
r-e-p-e-t-i-d-a-m-e-n-t-e
se mente.
Vamos despertar
antes que inicie
o pesadelo:
(quem sabe se
dando as mãos
não criamos
aqui um freio
pra parar
o que não devia
jamais ter começado
mas já se encontra
no meio?)
Vamos evitar
cair somente
em devaneio
e pisar firme
com os pés:
passo-a-passo,
mas passo
de pé inteiro!
Porque nisso de
andar descalço
a gente ainda se
machuca!
Nisso de andar no alto,
a gente cai de forma
abrupta
e nunca vai ter certeza
do que é sonho,
do que é luta,
do que é nuvem de
fumaça
e do que parece teoria
e é trapaça.
antes que inicie
o pesadelo:
(quem sabe se
dando as mãos
não criamos
aqui um freio
pra parar
o que não devia
jamais ter começado
mas já se encontra
no meio?)
Vamos evitar
cair somente
em devaneio
e pisar firme
com os pés:
passo-a-passo,
mas passo
de pé inteiro!
Porque nisso de
andar descalço
a gente ainda se
machuca!
Nisso de andar no alto,
a gente cai de forma
abrupta
e nunca vai ter certeza
do que é sonho,
do que é luta,
do que é nuvem de
fumaça
e do que parece teoria
e é trapaça.
27 de fev. de 2015
eu me quero assim
todo eu,
todo meu
e me quero assim
comigo.
eu te quero assim
toda tu,
tão tua
pra que sejas feliz
contigo.
eu nos quero assim
tão nós mesmos,
com cada um na sua:
de lua em lua
eu me permito
te querer livre
eu mesmo livre
me ter contigo
te ter comigo
pra que vivamos
a plenitude
dessa
liberdade nua.
todo eu,
todo meu
e me quero assim
comigo.
eu te quero assim
toda tu,
tão tua
pra que sejas feliz
contigo.
eu nos quero assim
tão nós mesmos,
com cada um na sua:
de lua em lua
eu me permito
te querer livre
eu mesmo livre
me ter contigo
te ter comigo
pra que vivamos
a plenitude
dessa
liberdade nua.
23 de jan. de 2015
Cheiro de povo.
"Prefiro cheiro de cavalo do que cheiro de povo"
João Baptista Figueiredo
Desculpa, moço
se o cheiro que
emana de mim
lhe desagrada
o seu tão fino
nariz:
é que eu tava
trabalhando
é que eu tava
descansando
é que eu tava
ali do lado
fazendo nada
de errado
e a polícia
chegou em mim.
Daí que é assim:
a gente sua,
a gente se esforça,
a gente às vezes
é o cavalo
e às vezes
é a carroça.
Então que não
dá pra disfarçar
isso que pode
ser fedor
só com perfume
barato.
A gente fede,
moço,
eu sei.
Mas não é cheiro
de rato, não:
a gente emana
muito de sonho
perdido,
muito de sonho
estragado,
muito de noite
acordada,
muito de dia
nublado.
E esse cheiro
que te faz
torcer o rosto,
moço,
não é por eu ser
preto,
não é por eu ser
branco, se
às vezes sou
angolano
e às vezes
japonês
- mas o meu cheiro,
moço,
não tem a ver com
etnia,
não se explica
na geografia
ou não sei:
talvez se a gente
levar em conta
essa nossa necessidade
de sempre pagar mais
caro
qual seja for o valor
da compra.
Não dá pra ter cheiro
de flor se a gente
vive sendo espinho;
não dá muito pra
respirar
quando se
vive apertado
e sozinho.
Daí que o seu
problema com
o meu cheiro
é talvez um problema
unicamente seu:
porque isso que exalo
é cheiro de gente,
de povo.
Me desculpa se até
aqui não disse
nada de novo,
mas preciso ir
pra labuta
novamente.
Só um recado
que talvez lhe
sirva:
a gente fede desse jeito
é porque a gente luta:
todo dia de manhã
até quase a noitinha,
virando a madrugada
quase até de manhãzinha.
E se ouvir dizer de nós,
que andamos perfumados,
é que a luta de que se fala
acabou virando de lado:
foi pro lado dos livros,
da teoria importada,
dos diálogos compridos,
da verdade imaginada.
Por isso, moço,
lhe digo
que esse cheiro
de povo
(alguns dizem de mendigo),
é original e é nosso,
tão américo-latino
que não espanto se o moço
não quiser sentar comigo
pra escutar meu endosso,
pra aguentar esse osso,
esse meu cheiro de poço,
esse meu cheiro divino.
16 de jan. de 2015
Me roubaram teus poemas
e os olhos com que te via
em preto e branco.
Te dizia que me deste
coragem e humanidade
para cruzar a Chacarita
e sua pobreza tão digna;
que saudade se sente
porque se ama e que
a vida não é somente feita
de distâncias,
sino también de
reencontros.
Te encontro!
Nas mensagens dos muros,
no falar dessa gente,
nos olhos das crianças que
me vêm vender cigarros.
Te encontro nestes
invernos matinais,
nos silêncios dominicais
e nas montanhas que se
levantam adiante.
Já não passará mais
um domingo em que me
acorde assustado.
Pois quando suspirares
me crendo distante de mais,
já poderás me mirar:
estarei do teu lado.
Cochabamba, 03/01/2015.
e os olhos com que te via
em preto e branco.
Te dizia que me deste
coragem e humanidade
para cruzar a Chacarita
e sua pobreza tão digna;
que saudade se sente
porque se ama e que
a vida não é somente feita
de distâncias,
sino también de
reencontros.
Te encontro!
Nas mensagens dos muros,
no falar dessa gente,
nos olhos das crianças que
me vêm vender cigarros.
Te encontro nestes
invernos matinais,
nos silêncios dominicais
e nas montanhas que se
levantam adiante.
Já não passará mais
um domingo em que me
acorde assustado.
Pois quando suspirares
me crendo distante de mais,
já poderás me mirar:
estarei do teu lado.
Cochabamba, 03/01/2015.
15 de jan. de 2015
o emaranhado
dos teus cabelos
descomplicado:
são tudo pêlos
pro meu desejo
condicionado
por este beijo
do teu café
no meu cigarro.
amargo.
já foram dias
de despedida
(olhos fechados);
hoje é encontro,
é desencontro,
é te ver ir
sem ter chegado.
mapa da mina,
rede de pesca,
piano indie
descompassado:
cadê teu rosto,
cadê teu cheiro -
eu te pergunto,
eu me pergunto
querendo mais
do lado-a-lado.
(eu digo)
foda-se o
imprevisto e o
calculado:
estarás perto
mesmo distante,
aqui do lado.
dos teus cabelos
descomplicado:
são tudo pêlos
pro meu desejo
condicionado
por este beijo
do teu café
no meu cigarro.
amargo.
já foram dias
de despedida
(olhos fechados);
hoje é encontro,
é desencontro,
é te ver ir
sem ter chegado.
mapa da mina,
rede de pesca,
piano indie
descompassado:
cadê teu rosto,
cadê teu cheiro -
eu te pergunto,
eu me pergunto
querendo mais
do lado-a-lado.
(eu digo)
foda-se o
imprevisto e o
calculado:
estarás perto
mesmo distante,
aqui do lado.
16 de dez. de 2014
Porque sim não é resposta!
Depois de ter compartilhado sua escrita lá no blog, segue aqui a edição em livro para download!
Link para download do livro.
Link para a versão e-book.
15 de nov. de 2014
Meu endereço é de onde
ouves sair esta canção
que relembra uma infância
cinza-colorida,
tal qual este dia de vento
e de recordações.
Meu endereço, se quiseres anotar,
está inscrito no verde-sonho
desta mata que acolhe
e protege;
onde chegam as cartas
de gentes distantes
no espaço, no tempo,
mas sempre bem perto
da cabeça e do coração.
Meu endereço, se te
vale de algo,
é onde os mortos
são recebidos para o jantar,
onde recontamos nossas histórias,
nossas vitórias,
onde nos rimos da vida
e da morte.
Resido exatamente aqui.
Não precisa avisar ao chegar.
ouves sair esta canção
que relembra uma infância
cinza-colorida,
tal qual este dia de vento
e de recordações.
Meu endereço, se quiseres anotar,
está inscrito no verde-sonho
desta mata que acolhe
e protege;
onde chegam as cartas
de gentes distantes
no espaço, no tempo,
mas sempre bem perto
da cabeça e do coração.
Meu endereço, se te
vale de algo,
é onde os mortos
são recebidos para o jantar,
onde recontamos nossas histórias,
nossas vitórias,
onde nos rimos da vida
e da morte.
Resido exatamente aqui.
Não precisa avisar ao chegar.
3 de nov. de 2014
22 de set. de 2014
Terá sempre um delicioso
gosto esquisito
em cada dobra do teu sorriso
quando te rires de que vês em mim.
Estou aqui e não é pra
te falar de antes.
Porque ontem é um
lugar esquisito, perdido
por entre os livros que
não se acabaram de ler.
É evitando o amanhecer que
se impede o dia que rasteja?
Não carregarei tuas malas,
nem tampouco descerei escadas;
já não saberemos mais
por onde andamos.
Porque planos se fazem
somente enquanto se almeja
que o amanhã que tanto se deseja
chegue somente depois de amanhã.
gosto esquisito
em cada dobra do teu sorriso
quando te rires de que vês em mim.
Estou aqui e não é pra
te falar de antes.
Porque ontem é um
lugar esquisito, perdido
por entre os livros que
não se acabaram de ler.
É evitando o amanhecer que
se impede o dia que rasteja?
Não carregarei tuas malas,
nem tampouco descerei escadas;
já não saberemos mais
por onde andamos.
Porque planos se fazem
somente enquanto se almeja
que o amanhã que tanto se deseja
chegue somente depois de amanhã.
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