26 de fev de 2009

Texstículo.

Acordou nauseado. Abraçando a privada, pensava na última refeição: há quanto tempo não comia? Sim, estava digerido, nos intestinos talvez. Por que, então, aquele vômito liso? Cambaleou até a cozinha: a cozinha o enojava; por cima da pia, a louça engordurada lhe causava arrepios. De onde isso, agora?

À tarde, enquanto Roberto Carlos cantarolava no rádio a pilha, uma saudade exagerada causada por fotografias antigas. Chorou sinceramente. Abraçado às almofadas, chorava e ria, ria e chorava, os soluços se acumulando na boca que deixava escorrer saliva, nos olhos que não se envergonhavam das lágrimas.

No entardecer, o espelho. De frente, de perfil. O coração acelerado. Um arrepio que lhe percorreu a espinha causando mais riso, mais lágrima e alguma verdadeira comoção. E se fosse? Não podia ser. Afinal, nunca soube de nada parecido. Mas estava ali, na sua frente.
Acariciou o ventre. Estava grávido, tinha certeza! Jamais se permitiria entender como. Jamais ousaria se indagar do porquê.

4 comentários:

Marina Melz disse...

Desse pouco a falar e muito a dizer.

fabioricardo disse...

Twist interessante, fiquei tentando puxar a ligação do final com o começo, achar um fio condutor da história, para queela chegasse onde chegou.

Labes disse...

E encontrou, Fábio?

Lou disse...

Cara, eu não imaginei que esse seria o final. E ri, no bom sentido. Muito bom.

será fim de tarde daqui a pouco e veremos os suicidas fazendo fila em cima da ponte do tamarindo para decidir quem pula e quem não levi...