21 de jul de 2016

de onde eu venho
a gente nunca
se explica os porquês
das coisas mais
antigas

nunca responderam
às minhas perguntas
que suponho soassem
doloridas:

por que tanto silêncio?
por que a rua vazia?
já não é tempo de carnaval?

de onde eu venho,
endoença já disse,
as pessoas tem os
olhos em enxaimel

acordam cedo pra
trabalhar,
trabalham desde
muito cedo,
morrem cheias de
orgulho
cansadas de tanto
trabalho

mas vê? as ruas estão limpas
vê como somos organizados
não importa se os embriagados
gritem amor eterno aos postes

não importa que um sorriso
custe anos de economia

de onde eu venho
preciso explicar
que a vida pode ser
feita com poesia

e o carnaval era um programa
chato que ocupava a televisão
e me privava do cine privè
depois da meia noite
na rede bandeirantes.

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será fim de tarde daqui a pouco e veremos os suicidas fazendo fila em cima da ponte do tamarindo para decidir quem pula e quem não levi...