5 de jul de 2011

Tango.

eu me lembro. quanto tempo faz? não faz tanto tempo. aconteceu e foi assim: éramos nós e o mundo, éramos dois contra o mundo, eu e tu, tu e eu, em que momento isso mudou? éramos dois, éramos nós, quando o tu deixou de ser tu porque já não cabia, encheu. em que momento?

sabe-se muito sobre o mundo ao andar sobre o mundo utilizando-se de muletas. eu ganhei de presente um par de novas, muletas novas, quem diria.

eram-se outros tempos, ainda que eu possa ter inventado isso: eram-se. afinal: pois bem. mas eram e acontece que embora magro e cada vez mais velho e cada vez mais perto e cada vez mais frio, ainda assim continuo o mesmo - eu tinha quatro anos? eu tinha cinco anos? o caminhão vindo na minha direção e eu esperando ali, de propósito, o fim? -, as mesmas manias pueris: compor, cantar, trepar, viver.

escrever. eu disse que não podia. que não podia. e eu não posso. ninguém pode mais. voltaire, o enrustido, que fale por mim: tão cristão, o coitado: fodam-se os egípcios. é assim?

acontece que acontece que acontece que. parece pato fu. documentário de daqui a vinte anos: banda lado b que vez sucesso, banda lado a que não vingou (embora ninguém mais leve a sério os lados, eles existem, e cedê eu chamo de disco). ouvi o mesmo sobre biquini cavadão. mas o biquini toca ainda daniela.

um recado: não adianta esquecer de esquecer. não se esquece nunca. melhor não falar a respeito. melhor não escrever a respeito. melhor nem chegar a pensar no assunto: vive-se mais assim. vive-se mais do que quem nunca viveu. vive-se mais do que eu.

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será fim de tarde daqui a pouco e veremos os suicidas fazendo fila em cima da ponte do tamarindo para decidir quem pula e quem não levi...