8 de jul de 2015


o alemão foi atrás
de solução e encontrou
a forca:

esqueceram-se os seus
que deixou seu país à força,
nem faz tanto tempo assim
que se deu sua chegada por aqui
meio herói,
meio fugido,


com as mãos abanando vento
e o coração pedindo asilo.

fodido e mal pago.

de herói, virou caçador
de índio;
de assassino de homem e
matador de menino,
de pequeno agricultor
e criador de suínos,
tornou-se empreendedor:

ah, se a pátria me visse
edificando no meio da mata!

ah, se o império me desse
a chance de a soberba
me ser inata!

a primeira fabriqueta e
o primeiro ordenado!
o patrão que tem a honra
de ser a cara do empregado.

quanta satisfação!

que nunca ninguém tenha
perguntado como o imigrante
faminto se tornou poderoso
empresário,
não passa de coincidência.

o sobrepeso da consciência
e os deslimites da justiça,
lavaremos com chopp e linguiça:

os chiqueiros não esvaziam e já
há quase mais porcos que crianças.

a herança repartida entre
os filhos vivos dará
conta de estender nossos domínio
até quem sabe qual geração:

- porque o povo alemão se orgulha
de ser nascido sob a sombra
de seu brasão!

nunca importou quantos
tenham caído
(em contradição)

esta terra varreu as palmeiras
e os habitantes originários
para, à luz de um futuro incerto,
reinventar o seu passado:

preencheu com torpes virtudes
uma história de agravos.

não é por quase não haver mais fábricas
que não se escutam seus apitos.

que não se pense que por sermos
desmascarados,
nos afastaremos do mito

que somos naturalmente superiores!
que somos tão nobres
que tudo são flores
por onde escolhemos pisar.

para o alto!, para adiante!,
há muitas terras por conquistar,
ímpios por catequizar
nas fabriquetas enclausurantes.

voltemos, portanto, à pureza,
aos anos dourados da glória,
voltemos para reescrever a história:
retornemos ao antes.

Nenhum comentário:

será fim de tarde daqui a pouco e veremos os suicidas fazendo fila em cima da ponte do tamarindo para decidir quem pula e quem não levi...