23 de mar de 2016

O filho da empregada.





Do Filho da Empregada não posso dizer que sejam somente memórias, senão que se trata da poética das lembranças. Porque não estávamos sós, a mãe e eu: talvez disfarçássemos melhor a vida que se vivia. E éramos muitos, às seis da manhã, naqueles ônibus lotados de gente com a alma úmida.

Do Filho da Empregada posso dizer que, além de memórias, é retrato do cotidiano. Porque as empregadas ainda levam seus filhos a tiracolo, ainda são humilhadas pelas famílias de que não fazem parte todo dia de manhã.

Não posso dizer que seja acerto de contas, mesmo que pareça. Talvez venha daí a dificuldade que foi escrever sobre a gente à distância; não pode ser confortável remexer os cestos de memórias. Não se pode sair ileso dessas revisitas.

É, então, um livro de poesia sem poemas. Ou um livro de poesia de um poema só. Um anti-poema egoísta (como são todos), que procura companhia. Ou alguma outra coisa que só ao leitor pode caber decidir.


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