5 de mai de 2016

o frio não quer
nada da gente:
quer a gente

inteiros
desnudos
incertos
confusos.

o frio nos
quer cedo
pela manhã
observando

pensando
em outras
manhãs

pensando
em outros
invernos

que ainda
não passaram

que ainda
tardam chegar.

o frio não quer
nada da gente:
quer a gente
entre seus dentes

eu te digo:
vai chover,
vai ventar

não há
saída sabida.

esquentar parece
promessa,
mas faz parte da
farsa

faz parte
da mesma
mentira.

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como um menino que sonha com pilhas - substantivo que mal cabe no poema - amarelas e que soltam faíscas que acendam as luzes as engrenagens ...