14 de fev de 2017

olha, quem sabe se a gente
voltasse um pouco no tempo
talvez? quem sabe se a gente
observasse melhor os contornos
as derrotas as despedidas quem
sabe se a gente voltasse atrás
uns anos semanas e dias e voltasse
imediatamente para algum momento
derradeiro onde pudéssemos fincar
a estaca da permanência e dizer:
é aqui que permaneceremos, é aqui
será sempre e de novo aqui que nos
encontraremos embora passem os 
anos embora nos desfiguremos com
os anos embora os cigarros se molhem
umedecidos por essa garoa incessante
que chove dentro e fora sem rodeios


é preciso ir adiante
é preciso olhar em frente
e tentar obter do futuro
alguma migalha algum
remédio alguma forma de 
dormir cedo acordar cedo
como um relógio de parede
como um cachorro velho

:

sinto falta sinceramente da minha
sinceridade de bêbado aqueles abraços
que eram em mim era eu que me abraçava
e me dizia que te amo, cara, fica sempre perto
te amo, cara, não morre logo
um monólogo durante anos de festejos e
arrependimentos que eram apenas e somente
desespero tristeza e um frio na alma
que se alojou faz muitos anos eu ainda criança

:

amanhã tem lançamento
e embora possa parecer o contrário
ando bem feliz.

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