6 de fev de 2017

poema da rodoviária

"Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir".
Manuel Bandeira

faz três, quatro anos
(aqui dentro, quatrocentos)


trabalho na rodoviária dessa
cidade que nunca é de chegada

onde o sobrenome antecede
a mão estendida

onde as lições de partir não são
nunca lições de partida

todos os dias, a rotina:
"senhores passageiros

com passagens marcadas
para longe, longe daqui".

vejo abraços de reencontro,
ouço choros de despedidas

e permaneço, feito âncora,
na iminência de partir

(sempre na iminência de),
mas ainda âncora

que vento algum - ou enchente -
consegue extirpar da rocha profunda.

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