3 de fev de 2010

Daniel.

a gente acha que a prova é ter mulher, ter filho, ter o emprego decente, comprar o carro do ano, a gente acha que a prova é ser cristão e abstêmio para então podermos ouvir és adulto, és homem, a gente acha que sim e sorri. eu tive a prova nesse fevereiro, esse sol infernal, o calor sem vento, eu revi murilo, mauro, paulo, marco, por onde andavam, por onde eu ando, eu revi tanta gente e vi tanta gente junto dele.

a gente acha que a questão é ser educado, pois que fomos juntos ao primeiro dia de escola, deve ter sido assim, não lembro. mas lembro de antes disso, antes da escola, o primeiro contato, quantos anos eu tinha?, um olhar tímido, quer brincar comigo?, e assim foi. há dezoito anos.

hoje eu me tornei de fato homem, homem como se diz, homem que teve uma dor assim.

eu caminhava sozinho sob o sol me queimando o rosto e pensava que nunca estivera tão sozinho em toda minha vida.

pro diabo escrever um livro, ter um filho, plantar uma árvore: hoje eu enterrei o meu primeiro amigo. o primeiro. e ninguém mais no mundo poderá entender como isso dói.

4 comentários:

Tati Plens disse...

a gente nunca se recupera.

Costa disse...

Perdi um amigo em 2004. Carro. Ele tinha 20 anos, eu também. Tudo que vemos parece importante demais perto da realidade do dia em que ele se foi. abraço!

Costa disse...

Ah, não fui claro. Achamos tudo importante demais, mas essa é a ilusão que temos. A lembrança do dia em que ele partiu é de uma realidade seca onde percebi que a maior parte das buscas em que nos engajamos não faz sentido.

fabioricardo disse...

Todo mundo se vai. Não adianta nem sequer achar ruim. Melhor que se vá deixando boas memórias e risadas na lembrança.
A saudade sempre bate, a dor sempre dói. Enterrar um amigo sempre dói. Enterrar um amor também.
Mas o negócio é seguir e pensar que tudo o que podemos fazer é garantir que quandoalguém estiver enterrando a gente, tenha na memória essas tais boas lembranças.

um inventário com todos os mortos inclusive aquele jovem velado pelo pai de barba muito branca na sala de casa eu disse a carminha: morreu o...