19 de nov de 2016

as lembranças de infância
as traições recordadas
aquele tempo de desemprego
lavando carros
tapando buracos
tudo excepcionalmente
cinza

juntando moedas
costurando idéias
ignorando prazos
cinza

como as esperanças
cinza

como a parede branca
vencida pela fuligem
cinza

os lençóis em que não
me deito por respeito
e por saudade
cinza

como os pulmões depois
de fumar tantos anos
e a fumaça sem me prometer
absolutamente nada
cinza

também esse céu de outubro
que desengana a primavera
anunciada, comemorada
mas ainda
cinza

como se não houvesse
outra cor no mundo.

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como um menino que sonha com pilhas - substantivo que mal cabe no poema - amarelas e que soltam faíscas que acendam as luzes as engrenagens ...